quinta-feira, 16 de abril de 2009

O ERRO

Os sistemas modernos de computação tiveram um papel fundamental na descoberta da realidade como um brinquedo uma forma de realidade sem compromisso com resultados, mas focada na experiênciauma pequena ação simboliza toda a diferença na exposição da realidade multipla, da trama lúdica criada para interpretarmos a realidade. Foi simbolicamente o CTRL+Z, o Backup, com isso aprendemos que podemos errar e tentar uma vez mais. Ao adicionar a admissão do erro no processo, fizemos uma verdadeira revolução no mundo, pois agora o processo nao tem que dividir o "peso" da realidade comprometido com um determinado fim ou finalidade pré-estabelecida. Admitimos agora que algo não tenha mais fim, caimos nos sistemas abertos do dia para noite e nem nos demos conta. Poder voltar e refazer, fez com que nunca mais acabassemos de fazer, sempre é possivel voltar ao backup e reconstruir. Com o "Ctrl+Z" pudemos assumir o erro no processo e incorpora-lo ao "produto" que não é mais o objeto final, é o ato.

Mesmo os jogos eletrônicos, os video games, incorporaram agora a noção de processo e não de objetivo final. Quando os jogos se abrem em redes e se comunicam e o importante é o processo, uma mudança profunda na leitura do mundo se dá.

Sem o erro nunca teríamos diversas descobertas cientificas, mas o que muda agora é que o erro é usado de maneira deliberada, sem o erro assumido, nunca estariamos nos abrindo para outros sistemas e nos reconectando. Jogar ao acaso faz com que criemos sem o peso da criação divina ou metafísica que incorporamos a esse ato, uma aura mágica, errar é humano e os erros são nossas novas formas de criar..
Flusser diz em Filosofia da Fotografia que as máquinas são programadas para fazer mais do que podemos com elas, talvez não seja negativo isso, nao somos somente operadores das máquinas, mas sua superpotencialidades, nos deixem com margem para o caos informacional, com o conflito, com o "pau" dos sistemas e nisso possamos explorar as falhas como processo e elemento de acaso novo o tempo todo. Trabalhar com o caos e com o erro é lindo, pois saimos de nos e entramos no universo de possibilidades além do nosso controle humano, nos assumimos como somos, parte do todo e incompletos.

Os jogos eletronicos e os sistemas digitais apresentaram a idéia de uma realidade descontínua, foi através destes sistemas que tivemos a possibilidade de parar, voltar, avançar e recomeçar (ou reinicializar um neologismo advindo de uma tradução errada da lingua inglesa). Nossa realidade parece se multiplicar junto com os sistemas digitais, ampliando as possibilidades do real.

Aceitar o erro e incorpora-lo ao sistema, deixando o acaso agir.

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