Tenho me dedicado no últimos 18 meses a pesquisar novas formas de se projetar no design, de criar novos produtos para novas idéias que para mim são fundamentais a vida. Entre estas idéias a que me guia é a noção de termos sensibilidades não exploradas e muitas vezes desconhecidas. Dizem que ao invés dos 5 sentidos que nos deram, podemos ter mais de 30! O que abre as portas para projetar de maneira radicalmente diferente.
Bem, essa foi minha missão, saber o como lutar contra o império da imagem e do som, os dois únicos sentidos que são beneficiados em nossa sociedade.
Ok, como projetar algo para a sede? Para o enjôo? Para a fome?! ... Ainda ñ sei e nem sei se terei respostas algum dia. Mas a questão esta lançada. Nos e nosso corpo somos sempre MUITO mais do que aquilo que projetamos.
Mas hoje a tarde me vieram algumas idéias interessantes. Ja vivemos num mundo com outras sensibilidade apuradas e aguçadas. Vivemos já em um mundo onde o visual é relativo e subjetivo, a pesar de não nos darmos conta disso.
O visual, o "ver para crer" é uma herança do nosso Ilmo. Sr. Isaac Newton, ele nos colocou nesse universo de fenômenos do âmbito do visível, com ele aprendemos a calcular aquilo que víamos e o que não não era computado.
Quando a física passa a ser imaterial e a matemática é nossa linguagem única para explicar os fenômenos, imediatamente entramos em um mundo onde o visível é mera formalidade (Cria forma em um método.). Ver não é mais importante, damos um "leap of faith" um salto no escuro e o que nos retorna são coisas que não são mais da ordem do visível, do audível. São de uma sensibilidade oculta fora do nosso corpo, pertencente a um mundo de redes de signos a-verbais. São sentenças sem verbo que nos mostram um mundo magnífico e que transformou nossas vidas profundamente. Somos regidos por uma era pós-imagem, pós-significado, pós-material.
Já habitamos um mundo assim. E isso se dá ha uns 100 anos pelo menos e nossos projetos ainda tentam dar conta de "Layout", "formato", "cores".... Uhm...pera ai. projetamos para um mundo onde estas coisas já não fazem sentido. Eu mesmo como designer me sinto bobo e as vezes até acho graça, pois as pessoas se apegam a estas verdades visuais (Ou sonoras, ou de qq ordem que pense com essa mente antiga) como se fizessem diferença no mundo. Infelizmente para todos nós, inclusive para mim, não, elas não fazem diferença alguma (perdão Alexandre Wolner e cia.!).
É claro que as interfaces e o design gráfico vai continuar existindo para sempre, somos serem que percebem muito bem o visual, mas não é mais o "Projeto gráfico" o que importa, ele é somente uma forma de acesso a este mundo de um "Salto de fé" um salto no escuro em que não temos quem nos segure. Estamos inexoravelmente nos atirando no desconhecido e nos chocando contra probabilidades e o que colhemos disso nos atualiza em nossos campos visuais. Nossas imagens são agora subordinadas do oculto. Somos designers sem verbo, sem forma, sem lápis, sem nada. Abraçamos o infinito.
domingo, 28 de junho de 2009
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